19/10/2016 15:39

Em São Luís UPA e AME estão na UTI das promessas

341 Visualizações

Enquanto algumas cidades do Estado de Goiás estão com as suas UPAs e suas AMEs construídas e servindo suas populações, em São Luís de Montes Belos prevalece o abandono e a falta de vontade política. Mais um desafio para a próxima administração.

Criada em 2003, pelo Governo Federal, através do Ministério da Saúde em parceria com os municípios, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), irão oferecer atendimento de urgência e emergência 24 horas, sete dias por semana. Cabe a cada município contemplado doar o terreno e fazer à sua manutenção. Ao Governo Federal, destinar os recursos para sua construção. O objetivo principal da UPA, será desafogar em 97% os casos de urgências e emergências oferecendo uma estrutura simplificada com raio-X, eletrocardiografia, pediatria, laboratório de exames e leitos de observações.

Outro avanço para o atendimento à saúde nos municípios aconteceu em 2014, quando o Governo do Estado autorizou para São Luís e outros 5 municípios: Cidade de Goiás, Formosa, Goianésia, Posse e Quirinópolis, a construção dos primeiros Ambulatórios Médicos de Especialidades (AME). A previsão é que estas obras custarão ao estado R$ 50.035.362,75, construídas numa de 3.772 m²; mais R$ 41.768.178,60, em equipamentos. Só que, em São Luís pouquíssimo se fez, e a obra dificilmente será concluída a médio prazo. Esta é a previsão desalentadora de grande parte da população monte-belense.

A área escolhida para a construção da AME em São Luís, está localizada ao lado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que está com suas instalações em adiantada fase de construção. Todavia, o seu funcionamento definitivo, capenga sem previsão para ser entregue. Mesmo porque, os prefeitos dos 9 municípios que compreendem a região Oeste 2, ainda que, estejam conscientes da grande importância que a AME representa para saúde e a qualidade de vida de suas comunidades, não têm dedicado a atenção que requer. O que se constata, é que, está faltando vontade das lideranças políticas correrem atrás dos recursos liberados pelo Governo do Estado.

Por ser um centro de diagnóstico de média e alta complexidade e de orientação terapêutica, a AME atenderá 20 especialidades médicas aos pacientes encaminhados pela rede básica de saúde. Contará com um centro cirúrgico e serviço de diagnóstico de câncer, atendimento de enfermagem, serviço social, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição e fonoaudiologia. E ainda, 13 salas para a realização de exames de tomografia, ultrassonografia, raio-X, análise clínicas, endoscopia, teste ergométrico, ecocardiografia, entre outros; e 21 consultórios médicos para várias especialidades.

UPA e AME em São Luís de Montes Belos

Em São Luís de Montes Belos, durante a administração do ex-prefeito Sandoval da Matta, em julho de 2013, o projeto de construção da UPA, havia sido aprovado pela Vigilância Sanitária e pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente. O local escolhido seria lado do Corpo de Bombeiros no Setor Aeroporto região central da cidade. De acordo com os argumentos apresentados, o local além de oferecer completa infraestrutura, como água, esgoto, asfalto, energia elétrica, R$ 150 mil já estaria depositado em conta na Caixa, disponíveis para o início da sua construção.

Entretanto, de acordo com uma fonte confiável que preferiu não ser nominada, a atual prefeita Mércia Tatico, resolveu transferir sua construção para uma área fora da cidade, sem a mínima condição de infraestrutura. Motivo pelo qual, todo o cronograma anteriormente traçado fosse alterado, e chegasse ao nível de retardamento para sua entrega definitiva em que se encontra. Em consequência, esta decisão causou sérios impedimentos para o atendimento à saúde da população local e das cidades vizinhas que necessitam do atendimento de urgência e emergência.

O que não concorda em parte, o gerente regional da Saneago local, engenheiro Domiciano Rodrigues Neto, quando afirmou que a atual gestão municipal, já havia solicitado da Saneago o Atestado de Viabilidade Técnico Operacional (AVTO), o qual permite os serviços de abastecimento de água e esgoto sanitário, tanto para a UPA, quanto para a AME, estivessem totalmente disponíveis.

“Como a Saneago tem esse suporte operacional nas imediações, foi aprovada a AVTO, garantindo os serviços oferecidos pela empresa, cabendo à prefeitura a responsabilidade de fazer as ligações até as áreas para as quais serão destinadas. O mesmo procedimento se aplica à CELG, que ela se encarrega do fornecimento de energia elétrica, através da sua rede de distribuição mais próxima”. Acrescenta: “Como a área vai ser loteada, a partir do momento em que o loteamento construir sua infraestrutura – empreendimento imobiliário com 1.180 lotes residenciais, no qual o empresário Edival José Pereira e a família Friaça são os empreendedores –, a demanda para a UPA e a AME será atendida pelo serviço de água, esgoto e energia elétrica do próprio loteamento”, esclareceu Domiciano Rodrigues.

O vereador Elieder Barbosa, disse com exclusividade que a UPA estará funcionando até meados de 2017. “A obra será reiniciada e concluída até o julho de próximo ano. O deputado federal Jovair Arantes se comprometeu a liberar uma emenda parlamentar, destinada para mobiliar e equipar a unidade de São Luís.”, garantiu Elieder.

O ex-vereador Nei da Renap ao falar sobre o assunto esclareceu que, quando venceu o seu mandato como vereador, a UPA já tinha um destino correto, no Setor Aeroporto ao lado do Corpo de Bombeiros. Depois, segundo ele, alguém mudou o destino do projeto para onde está sendo construído, área pertencente à família Friaça. “Se estivessem obedecido ao projeto inicial, eu tenho certeza que a obra já estaria pronta e beneficiando todos que necessitam de um atendimento de urgência de qualidade e eficiência. Então preferiram construir onde se encontra, há muito tempo em obra. Que infraestrutura existe lá? Nenhuma! Não dispõe de luz, água, esgoto, nenhuma benfeitoria”, frisa.

Na opinião do ex-vereador Nei, a UPA e a AME continuará ao relento por muitos anos e, questiona: “Mesmo que essas obras sejam concluídas amanhã, como é que funcionarão sem infraestrutura? Será por meio de gerador, poços artesianos, foças sépticas? Imagina o atraso que teve a cidade com a mudança de local da UPA? A população já poderia estar sendo beneficiada com o atendimento de urgência e emergência de qualidade. Mas pelo que se percebe esse benefício tão aguardado, não se sabe quando estará disponível”, pontua.

UTI, uma promessa eleitoreira

A UTI foi uma promessa do govenador Marconi Perillo – na sua campanha à reeleição em 2014 –, de construir 8 leitos de UTI em São Luís – ao lado do Hospital Municipal – para atender a região Oeste 2. “Ele esteve aí, passou mel na boca de todo mundo, mas a obra não saiu”, diz o ex-vereador Nei da Renap.

No entanto, segundo Nei, o problema permanece porque ninguém cobra. Falta empenho, determinação do executivo municipal exigir o cumprimento da promessa feita em palanque diante da presença de um público considerável. “A área existe, havia até uma placa no local. Se colocaram placa é porque houve licitação e precisam esclarecer o destino dos recursos que serão aplicados” argumenta.

E, acrescenta: “O mesmo aconteceu com a ampliação do Lar Vicentino, outra promessa eleitoreira do Marconi que não aconteceu. Quem correu atrás, quem se interessou para que essas promessas não ficassem somente no discurso? Ninguém! O gestor municipal, as lideranças políticas cruzaram os braços e ficou o dito pelo não dito”, questiona Nei da Renap.

Na opinião de outra fonte que preferiu não se revelar, a ideia de se construir UTIs em São Luís não tem fundamento, chega a ser irresponsabilidade. Os custos para sua manutenção são muito altos, tanto em equipamentos como de funcionários e a prefeitura não dá conta sozinha. Seria necessário que o Governo do Estado se responsabilizasse, não somente com à sua construção, mas, sobretudo, mantivesse o seu funcionamento.

Muitas vezes as pessoas falam em nome do governador – esclarece a fonte que preferiu não se identificar – e diz que ele vai apoiar. Na realidade ele nem sabe como é o projeto. “No caso de São Luís, acredito que o governador Marconi Perillo não tem esse projeto da construção das UTIs em suas mãos. Basta ver que nem placa informando a execução do projeto e a origem dos recursos existe – na verdade ela se encontra caída com as supostas informações voltadas para o solo, tonando-se impossível qualquer identificação. Toda obra precisa especificar essas informações técnicas sobre a finalidade da obra”, avaliou.

Dilson Paiva / Diário Montebelense