30/09/2016 22:32

Obra inacabada em São Luís, resiste a 4 administrações consecutivas

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Depois de muitos imbróglios envolvendo prefeitos, recursos financeiros e vontade política para sua construção, o lago ao lado rodovia GO-060 próximo ao Leite Bom, é um desafio para a futura administração se a obra não for concluída este ano.

A ideia inicial para a construção do lago ao lado da GO-060 próximo ao Leite Bom, foi do Edmilson Tatico, quando era prefeito. Um empreendimento além de ousado, de grande dimensão. O seu tamanho com cerca de 2 quilômetros de extensão, doados pelos seus proprietários, começaria nas terras da família Friaça, atingiria parte das áreas pertencentes a Jesus dos Santos, ao Adão Soares de Araújo (Cibrazem), até as terras do Dr. Domingos Cassemiro, ultrapassando a rodovia GO-060, na qual seria construída uma ponte. Depois por razões desconhecidas, ele resolveu limitar a construção apenas nas terras da família Friaça.

Quando o ex-prefeito Edmilson entregou a administração para a prefeita Marisa Guimarães, ela herdou cerca de R$ 1 milhão, provenientes de uma emenda parlamentar concedida pelo deputado federal José Tatico e mais uma quantia da Secretaria Estadual do Turismo. Outros R$ 500 mil, que a prefeita conseguiu através de uma aprovação da Câmara Municipal, para a venda da folha de pagamento dos funcionários ao Banco Itaú. Este valor que deveria ser empregado na construção da biblioteca municipal na Pça da República –onde atualmente funciona uma sorveteria –, acabou sendo transferido para a construção do lago.

Na administração da ex-prefeita Marisa Guimarães, mesmo com parte do dinheiro já disponibilizado para avançar na construção da obra, não aconteceu e o lago entrou em hibernação. Assim que o ex-prefeito Sandoval da Matta assumiu, conforme uma fonte que preferiu não se identificar, ele já dava mostras do seu desinteresse de continuar com a obra por considera-la inapropriada. Além de estar fora da cidade, estava localizada numa área desabitada, sem infraestrutura e sem a mínima condição de oferecer segurança para os seus frequentadores. Ainda havia a GO-060, com quatro pistas nos dois sentidos, as quais deveriam ser ultrapassas para atingir o lago.

Mesmo com o seu desinteresse declarado, Sandoval da Matta, assim que assumiu a prefeitura teria gasto cerca de R$ 400 mil. Sendo, uma parte para pagar o que já havia sido executado e a outra para concluir a primeira etapa do projeto. No entanto, R$ 700 mil já haviam sido aplicados envolvendo recursos do Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo. Razão pela qual o ex-prefeito preferiu investir os R$ 400 mil, a ter que ressarcir ao Ministério do Turismo os R$ 700 mil corrigidos. Daí, a obra novamente entrou em hibernação.

O ex-vereador Nei da Renap não só confirma as informações anteriores, como acrescenta detalhes sobre os quais considerou necessário que se fizesse, como a necessidade de ter sido feito um estudo de impacto ambiental antes de construir o lago. “Eu moro em São Luís há 40 anos. Sei que o córrego Santana no período de cheia, o volume de água é muito grande. Fatalmente irá causar uma enchente no lago, trazendo sujeiras de todo tipo. Então aquilo ali irá virar uma bacia de decantação”, avalia.

Nei também é da opinião que, ao invés do município estar investindo na manutenção dos cartões postais já existentes, como o Espelho D’Água e o Parque Ecológico – o que não está acontecendo, porque não está dando conta –, pra quê investir num terceiro? “Infelizmente o gestor desses recursos não tem uma prestação de conta clara, limpa, transparente. Os vereadores que também são responsáveis não olham. É uma obra de oportunismo, tanto no aspecto político quanto imobiliário. Pelo investimento que está sendo aplicado, carecia até de uma investigação por parte do MP. Eu vejo com certa dúvida”, declara o ex-vereador Nei.

A dúvida de Nei da Renap quanto ao propósito de estar construindo uma obra justamente numa época pouco recomendada o leva a fazer outros questionamentos: “Como você vai executar um projeto como aquele (lago perto do laticínio) perto da rodovia, é porque está beneficiando alguém. Existe um loteamento na área, o qual eu acredito que seja da família Friaça. A população de um modo geral não será beneficiada, porque terá que atravessar uma rodovia, onde não existe uma passarela, não tem uma barreira eletrônica para facilitar o pedestre. Está beneficiando alguém, é uma obra de oportunismo”, concluiu.

Opinião: Adomar Martins Coelho, taxista, disse que na verdade o lago já deveria estar pronto. Não sabemos o motivo que levou até hoje não estar concluído. “Se nós acreditarmos nesse novo prefeito que será definido nas próximas eleições, eu acredito que agora vai sair. Já temos visto exemplos que ele já demonstrou, basta ver o Espelho D’Água (referindo-se ao ex-prefeito Edmilson Tatico). Eu tenho esperança que a mulher dele vai concluir e, vai ser um cartão postal que nós vamos poder distribuir pra todo lado”, considerou.

Na opinião do aposentado Afonso Cordeiro, a conclusão do lago trará grandes benefícios para cidade, tanto no aspecto de lazer e embelezamento, quanto de valorização imobiliária daquela região. “Eu acredito que agora vai sair e não é só por causa das eleições”, disse.

Segundo Tarcísio Inácio de Azevedo, comerciante, as administrações municipais anteriores não fizeram nada para concluir o lago, mas com o Edmilson Tatico é diferente, ele começa e faz. “Eu tenho certeza que não é conversa de político. Quem é que teria coragem de calçar o caminho que leva os devotos para orações lá na serra? O Espelho D’Água o Xerife ganhou o brejo não fez, com o Hamilton de Brito aconteceu o mesmo, também não fez. Quando o ex-prefeito procurou o Sr. José Alves da Costa para manter a doação da área, ele se negou, dizendo que já havia oferecido para dois prefeitos e não se importaram, agora terá que comprar. O Edmilson comprou o brejo e fez aquela belíssima obra que é o Espelho D’Água. Com tanto exemplo comprovado, não tem como admitir que o lago próximo ao Leite Bom, seja uma obra eleitoreira” enfatiza.

Gaspar Bonfim, empresário, acredita que o lago vai ser concluído. “Eu acho que vai ser concluído e será um bonito cartão postal pra nossa cidade. Antes de estar concluída, a obra já está muito bonita. Quando as duas passarelas ligando a ilha e toda a pavimentação asfáltica em volta do lago estiver pronta, vai ficar muito bonito”, ressaltou.

Dilson Paiva / Diário Montebelense