28/09/2016 16:10

Em São Luís obra inacabada dá mostra da falta de compromisso administrativo

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O Parque Ecológico de São Luís de Montes Belos é outra obra inacabada, que poderia ser o mais um belo ambiente de lazer e qualidade de vida para o montebelense, continua parado, aguardando sua conclusão. Mais um desafio para a próxima administração.

Quando o Sandoval da Matta foi prefeito (2009 a 2012), no final do seu mandato, logo após as eleições, deu-se o inicio da construção do Parque Ecológico de São Luís. O local escolhido foi uma área de 3 alqueires, na sua grande maioria de brejo, localizada no Setor Vila Nova com o Setor Aeroporto. Sua aquisição foi concretizada através do processo de desapropriação já que não houve acordo entre as partes envolvidas. A prefeitura pagou para os três proprietários o valor de R$ 150 mil, depositado em juízo. Valor considerado justo pela gestão municipal, após avaliação encomendada pela prefeitura. Todavia, não foi exatamente o que entendeu os ex-proprietários.

Por ser uma Área de Preservação Permanente (APP), havia pouco espaço aproveitável para a construção de casas ou outro tipo de edificação, mas ideal para a construção de um empreendimento para o qual foi escolhida. A justificativa da prefeitura pelo valor avaliado seria porque a área não poderia ser considerada aproveitável em toda sua extensão. Então o correto seria promover sua revitalização com a construção de uma obra, cuja importância além de útil para a comunidade, contribuísse com o embelezamento da cidade e tornasse um belo cartão postal, do qual o montebelense se orgulhasse.

Atualmente a transação continua tramitando na justiça, por meio de recurso impetrado pelos seus ex-proprietários, que se sentiram prejudicados. Porém, uma fonte confiável que preferiu não ser nominada, garante que a transação foi realizada dentro da legalidade. No entanto, em caso de ganho de causa pelos antigos proprietários, a prefeitura fica obrigada a pagar a diferença.

O projeto do Parque Ecológico ficaria em torno de 4 a 5 milhões de reais, na época. Para o início da obra, a prefeitura havia recebido uma emenda parlamentar no valor de R$ 800 mil, concedida pelo ex-deputado federal Pedro Wilson, por intermédio do Ministério do Turismo e a prefeitura entrou com uma contra partida no valor de cerca de R$ 130 mil. Como se deu no final do mandato do ex-prefeito Sandoval da Matta, ele não chegou a efetuar nenhum pagamento, cabendo à prefeita Mércia Tatico continuar com a construção da obra e concluí-la.

Consta no projeto, a construção de um lago, pista de cooper, ciclovia, quadra poliesportiva, parque infantil, academia ao ar livre, quiosques e um palco com praça para eventos. Completando a proposta de oferecer melhor qualidade de vida para a população montebelense e melhorar a acesso ao Parque Ecológico, havia também o projeto para construção de uma ciclovia que se iniciaria a partir da Av. Hermógenes Coelho.

O ex-vereador Nei da Renap na época, em pleno exercício do seu mandato na Câmara Municipal, quando questionado sobre o que ele achava da ideia de construção do Parque Ecológico de São Luís, sem vacilar disse de imediato: “Era pra ser uma estrutura bonita, ampla, para a população ter lazer, atividades físicas, hoje está no estado de abandono que todo mundo vê”, avalia. Na sua opinião, "toda administração que se preza, não deveria ficar com picuinhas em relação às outras administrações anteriores que foram até adversários. Deveria sim, priorizar os projetos iniciados, informar a sociedade aonde e de que forma esses recursos estão sendo empregados, porque existe dinheiro público envolvido", pondera.

Enfatiza que a atual prefeita Mércia Tatico deveria ter concluído ou pelo menos avançado de forma mais efetiva com o projeto em andamento. No entanto, disse Nei: "Ele está parado, esquecido à própria sorte, com vários serviços ainda para serem feitos. Construíram a Academia da Saúde, depois da obra ter permanecido parada por vários meses, mas ainda falta instalar os equipamentos necessários. A tendência é acabar no mato, degradada pela falta de zelo de vigilância, como está acontecendo com o Espelho D’Água dos Buritis", concluiu.

Opinião: A pastora Gina Sueli Andreaça Moreira, da Igreja Batista Shalom, habituada a fazer caminhada nos finais de tarde, disse que dá graças a Deus pelo Parque Ecológico. Acho muito bom ter um lugar assim para as pessoas poder caminhar. É um lugar bem mais agradável do que dentro da cidade, evidente que melhorias sempre podem ser feitas. “A gente sabe que a cidade tem muitas necessidades. Se formos olhar o paisagismo da cidade, há espaços para se fazer mais, e aqui, não é diferente, poderia se fazer mais”, avalia.

Para a salgadeira Maria Araújo, que todas as tardes faz caminhada pelo Parque Ecológico, disse que o local precisa ser mais bem cuidado, falta manutenção e fiscalização. “Eu não tenho coragem de caminhar aqui depois que escurecer. Outro dia à tardinha eu vi vários adolescentes bebendo aqui dentro. Havia vários litros de bebidas perto deles”, conta.

Lidiane Cristina e Roseli Martins, são duas amigas que caminham juntas pelo Parque Ecológico, disseram: “O que temos visto é que o local está abandonado, falta manutenção e principalmente segurança. À noite não tem um policiamento para garantir a segurança das pessoas que caminham aqui. Muitas vezes motoqueiros e bicicleteiros utilizam a pista de cooper, para encurtar a distância entre o Setor Vila Nova e o Setor Aeroporto. Chegam a buzinar para que a pista seja liberada para eles passarem”, denuncia.

De acordo com o aposentado Florêncio Moreira dos Santos, outro montebelense que caminha ao lado da esposa nos finais de tardes pelo Parque Ecológico, disse: “Tem dia que a gente passa medo aqui. Existe uma garotada suspeita que vez ou outra frequentam o Parque Ecológico e, não vemos autoridade nenhuma para garantir a segurança das pessoas que caminham por aqui”, ressaltou.


Dilson Paiva / Diário Montebelense